You are currently browsing the category archive for the 'O que a alma sente' category.

A temperatura sobe: 100ºC de prazer incontrolável. Dois corpos quentes serpenteiam, unidos pela pele criam odores inebriantes, soltam gemidos inquietantes… Jogos de sedução e palavras susurradas, conjugados numa dança sensual em que o prazer se confunde com dor. Essa dor agradável de se sentir. Olhares intensos despem a alma de inibições. Sinto aumentar as batidas do coração, a respiração ofegante… Num segundo de extase o tempo pára, o mundo pára… E uma onda de prazer invade a minha mente, percorre-me o corpo, sinto uma explosão de milhares de vibrações. Não, milhões de vibrações por nanosegundo! E no fim, no fim de tudo chega a calma, os corpos separam-se mas os pensamentos continuam em sintonia presos àquele momento de luxúria.

“O movimento dos corpos parecia desenrolar uma longa película-cinematográfica, projetando sobre o rosto, como que sobre a tela de um televisor, um filme cativante cheio de perturbação, de espera, de explosão, de dor, de gritos, de emoção e de raiva.”

Milan Kundera, escritor

“Sometimes I pretend to be normal. But it gets boring, so I go back to being me.”

Cresce o desejo quando os teus lábios tocam os meus. O teu intenso e doce sabor, o teu cheiro inebriante acedem em mim a chama da paixão. Algo que nunca senti antes alimenta-se do teu corpo, faz-me sentir flutuar e marca a minha alma como uma cicatriz impossível de esconder. A cada gesto de amor que me dás cresce um brilho no olhar… cresce um sorriso que não consigo disfarçar.

Hoje tenho a certeza de que a minha alma se transformou: nela comtemplam-se novos ideais, surgem novas perspectivas de vida, renascem novos desejos… A minha existência ganhou outro significado. Sigo pelo caminho (quase) certo que me leva ao verdadeiro EU e cresce também a vontade de mudar a minha atitude e lutar pela felicidade. Mas no entanto algo me impede de seguir em frente, talvez por ser cobarde e ter medo de descobrir o que o futuro me reserva. Talvez tenha receio de enfrentar as consequências das minhas decisões, ou porque simplesmente acomodei-me à vida que tenho desde sempre. Talvez “acomodação” seja a palavra certa para descrever a razão de não me sentir viva.

“O ‘acomodador’: Existe sempre um acontecimento nas nossas vidas que é responsável pelo facto de termos parado de progredir. Um trauma, uma derrota espcialmente amarga, uma desilusão amorosa, até mesmo uma vitória que não entendemos bem, acaba por fazer com que nos acobardemos e não sigamos em frente. O feiticeiro, no processo de crescimento dos seus poderes, tem de se livrar primeiro deste ‘ponto acomodador’, e para isso tem de rever a sua vida e descobrir onde está.”

Retirado do livro  O Zahir de Paulo Coelho

1062943

 

Eu vivo para a escrita. Se me tirassem para sempre a caneta, o papel ou o PC… Eu morria! Seria como impedir-me de respirar. É através da escrita que eu exorcizo todos os maus pensamentos que poluem a minha mente, os sentimentos deploráveis que fazem de mim uma pessoa desprezível. Quando escrevo posso ser por uns momentos a mulher confiante e independente, linda e atraente; a filha exemplar; a namorada desejada; a profissional bem sucedida. A escrita oferece-me a possibilidade de ser tudo aquilo que sempre sonhei.

Não quero cair no ridículo e escrever o absurdo, mas a sensação que tenho é que esta noite (assim como muitas outras) é uma metáfora da minha vida. Todo o silêncio, toda esta escuridão, o negro do céu sem estrelas, a lua imponente e solitária… São como um quadro retrospectivo da minha ínfima existência.

 

Procuro as palavras e as frases certas para descrever o que sinto mas elas escapam dos meus pensamentos como se uma certa ansiedade bloqueasse o meu raciocínio. Sufoca-me a frustração de não conseguir transpor para o papel os medos que me inquietam a alma.

 

Numa altura da minha existência em que paro para reflectir sobre momentos passados, as escolhas irreversíveis, o presente fortuito e inconstante; surpreendo-me com as palavras de Isabel Allende no seu último livro A Soma dos Dias. Já falei aqui no blog, por duas vezes, sobre Deus e religião; num dos posts escrevi o que me vai na alma sobre o tema e noutro transcrevi umas palavras do escritor José luís Peixoto. Mas ao deparar-me com as palavras de Isabel Allende, que reproduzo neste post, não tive a menor dúvida que estas descrevem surpreendentemente qualquer reflexão que tenha feito acerca de Deus ou religião, superando também, na minha opinião, qualquer outra citação sobre o tema.  Os escritores têm essa sorte: de possuir o dom de transcrever os pensamentos para o papel de uma forma soberba, que eu (tendo esta mania de escrever uns textos mediocres), só consegueria faze-lo em sonhos.  Não resisti em transcrever também uma das mais eloquentes definições de Vida que algum dia li, retirada do mesmo livro. É caso para dizer que é altura de fazer contas à soma dos meus dias e à evidente falta de sorte que os assombra.  

Aqui, neste mundo que deixaste para trás, Deus foi sequestrado pelos homens. Criaram umas religiões disparatadas, que não percebo como sobreviveram séculos a fio e continuam acrescer. São implacáveis, pregam o amor e a caridade e cometem atrocidades para as impor. Os senhores importantes que propagam estas religiões, julgam, castigam, franzem o sobrolho perante a alegria, o prazer, a curiosidade e a imaginação. Muitas mulheres da minha geração tiveram que inventar uma espiritualidade que se adapta-se a elas, e se tivesse vivido mais talvez tivesse feito o mesmo, porque os deuses do patriarcado definitivamente não nos convêm: fazer-nos pagar pelas tentações e pelos pecados dos homens. Porque nos temem tanto? Agrada-me a ideia de uma divindade abrangente e maternal, ligada à natureza, sinónimo de vida, um processo eterno de renovação e evolução. A minha deusa é um oceano e nós gotas de água, mas o oceano existe pelas gotas que o formam.”

” A vida não é uma fotografia, em que preparamos as coisas para que fiquem bem e em seguida fixamos uma imagem para a posterioridade; é um processo sujo, desordenado, rápido, cheio de imprevistos. A única coisa certa é que tudo muda.”     

O ser humano quando nasce é como uma página de um livro em branco, na qual todos aqueles que nos rodeiam vão escrevendo. Marcam-nos com o seu afecto e desafecto, crenças, costumes, valores, tradições… Escrevem a nossa vida sem puder usar borracha. Depois tornamo-nos naquilo que está escrito sem termos a hipótese de reescrever tudo do nosso jeito.  

No começo da noite, desejos secretos que jamais alguém descobrirá deslizam entre lençóis de veludo, cobrindo o corpo ávido de uma curiosidade que cresce, que me envolve, me toca, me aperta e sufoca. Olhar vago e distante… Será que denuncia este segredo? Não! Só estou a ficar louca. Adormeço. E no mesmo instante os sonhos começam uma persiguição incontrolável, implacável e esgotante… eles desafiam o inconsciente sem piedade. Um turbilhão de sentimentos cresce… Mistura-se com lágrimas de dor e gestos de amor… e aquele beijo proibido, será sempre esquecido entre lençois de veludo.

Visões em arquivo

Blog Stats

  • 5,155 hits